segunda-feira, 22 de junho de 2015

Os 5 KM que falaram comigo

Achei: 
Há quase um mês, participei da primeira corrida da minha vida. Foram 5,46 km percorridos em 41 minutos e 49 segundos. Essa informação não seria grande coisa e você seguiria sua vida feliz (ou infeliz) sem muita diferença. O fato é: esses 5,46 km me disseram muita coisa...
Em 2008, por falta de instrução correta, lesionei o joelho direito durante um treino e desde então ele nunca mais foi o mesmo. Procurava atividades físicas com pouco impacto e evitava correr, achava que isso deixaria ele pior. Durante anos tive resistência à corrida.
Este ano isso mudou.
Depois da vida me dar um "sacode" comecei a focar em coisas que me seriam importantes, e a corrida foi uma delas. Entrei para um grupo de corrida e, embora o início tenha sido pesado, comecei a ver bons resultados, achando que seria possível alcançar meu objetivo: conseguir correr 2,5 km em 12 minutos. Então, por incentivo dos meus dois excelentes professores, me inscrevi para participar da minha primeira corrida, que seriam 5 km com direito a medalha por participação. 
Pensei mesmo que não conseguiria, pois, nos treinos, eu alternava entre corrida e caminhada no máximo 4 km. Mas o incentivo foi grande e, lá fui eu... A noite anterior tinha sido terrível, a madrugada foi de sono perdido e, com os olhos inchados, saí de casa quando o sol ainda nem dava vistas.
O resultado foi extremamente positivo: não somente concluí a prova, mas o fiz num tempo inferior ao que esperava. Estava extremamente realizada porque tinha sido capaz.
Não muito tempo depois, um amigo sugeriu que eu participasse de mais uma, agora 7 km. Me inscrevi morrendo de medo de não dar conta, de ficar fatigada, perder forças nas pernas, de ver todos os outros me ultrapassarem e perder ânimo...

Há dois dias participei desta corrida: os 7 km foram concluídos com muito sucesso em 55 minutos e 32 segundos, a medalha foi maior e o orgulho também.

O que vou dizer pra finalizar esse post (de quase auto-ajuda) é que aqueles 5,46 km iniciais me disseram muita coisa. Disseram que eu poderia correr 7 km, depois 10 km e então uma maratona. Mas disseram, com mais precisão, que posso conseguir tudo o que eu quiser.


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Linho

Achei: 




Estavam sentados se olhando há algum tempo e, no silêncio do restaurante, entre sussurros de outros casais apaixonados, aquele tempo era uma eternidade.
Fora diferente dessa vez: ela o convidara pra sair. Ele aceitou. E ele sabia o que ela queria. Na primeira vez ela deixara tudo muito claro. “É só isso.”
Sua taça de vinho estava pela metade e ela olhou o cristal puro, passou os dedos com delicadeza por sua borda, sorriu sem dentes, só puxando o canto da boca. Ainda se olhavam. Conversaram, sempre se davam bem nas conversas. Riram. E, mais uma vez, se olharam.
Ele parecia meio desconcertado mas se aproximou. Afastou com uma das mãos os cabelos de seus ombros e beijou o espaço entre a orelha e o pescoço. Ela deu um gemido suave, como quem tinha gostado. Sentiu seu cheiro e seus músculos se contraíram... Ele a puxou mais para perto, segurando pela sua cintura. Ela o olhou com aqueles olhos castanhos e pupilas gigantes, de baixo pra cima, meio inocente, meio tentadora. Dera certo. Pegou em seu queixo e a beijou.
A conta já estava a caminho, e eles também.
Ele sentia esse estranho frio na barriga, nervosismo talvez, querendo que tudo saísse novamente bem.
Ela estava bem na sua frente e, sem aviso, deixou seu vestido cair, a cor era somente pele...
Seu ventre queimava! Num ímpeto pegou-a pela cintura, colocou-a sobre a escrivaninha e a beijou novamente. Ela soltava gemidos entre os beijos - e isso o enlouquecia, arranhava suas costas e conduzia seu quadril, no ritmo certo.
Os lençóis de linho branco estavam bagunçados, misturados ao suor e aos corpos que cobriam. Ele acomodou sua cabeça em seu ombro, ela o abraçou com uma das mãos, encaixou.

Estava um pouco frio e ele a puxou para mais perto, o calor de seu corpo o aqueceu e, logo adormeceram.

"Sin billete de vuelta"

Achei: 


"Cierro los ojos, son demasiados años."
...
Eram exatamente 06h09 da manhã e ela aguardada com serenidade seu voo. Depois dessa viagem, não tinha garantias de um retorno. Não tão breve, pelo menos.
Enquanto esperava, seus olhos passeavam pela sala de embarque e viu algumas crianças lendo revistinhas compradas nos free-shops, duas senhoras que conversavam alegre e silenciosamente, um jovem casal que não desgrudava mãos e lábios, provavelmente em viagem de lua-de-mel, e, ao observar um músico com seu instrumento, seus pensamentos foram longe....
Lembrou o porque de ter comprado somente uma passagem de ida. Como seu coração estava partido em metafóricos e incontáveis pedaços. E que deixou muitas coisas pra trás por culpa disso: sua família, seus amigos (os de verdade), seus livros – quantos livros!, seu antigo emprego, seus antigos sonhos, seus planos... Era tempo de ir embora.
É complicado. Toda essa besteira de amor é complicada.”
Os alto falantes fizeram a chamada de seu voo, mas aguardou para que os mais apressados entrassem primeiro.
Seu telefone toca: o número era conhecido, mas já não tinha nome nem rosto.
Alô?” ela disse. A voz, já conhecida, disse: “É verdade que você vai embora? Não acredito que você vai embora! Você não me disse nada, por quê? Você vai mesmo?!” havia um desespero contido nas perguntas.
Sim, eu vou embora. Eu não tenho o que te dizer. Não tinha um porquê de lhe dizer há muito tempo. Sinto muito. Eu tô na sala de embarque, neste momento.” O telefone ficou mudo por um tempo. 
Do outro lado da linha ele ia perguntar se era tarde, mas a ligação caiu. Quando retornou, estava sem sinal dando certeza de seu embarque.