quinta-feira, 28 de maio de 2015

No fim do dia

Achei: 
No fim do dia quero chegar do trabalho, cansada, com os pés doendo e receber um afago, um cuidado um “senta aqui, deixa eu cuidar de você...”
No fim do dia quero ouvir como foi o seu dia. Quais as desavenças no trabalho, ou por quais êxitos foi aclamado. Passar por você enquanto aprecia o jantar e beijar sua nuca, lhe fazer companhia. “Sabia que acabou o macarrão?”
Quero lhe contar uma história engraçada. Sentar ao seu lado, curtir seu abraço e lá me perder. Quero sentir que foi a escolha errada, equivocada, certa, adequada, mas, que a escolha foi minha. No fim do dia quero compartilhar meus medos, revelar meus segredos e não ter medo de ser eu.
No fim do dia quero sentar e rever meus planos, ver o andamentos dos nossos sonhos, ouvir sua risada ao fundo (“Ele tá rindo do quê?”), enquanto uma se forma em mim.
No fim do dia, ao me deitar ao seu lado sentir seu cheiro quente, quero olhar para o par de olhos amêndoas e fechar os meus...

No fim de cada dia, ir dormir com a certeza de que, pela manhã, são eles que irei encontrar.

Imagine só!

Achei: 
Em algum momento, projetamos algumas coisas em nossas vidas. Umas bem viáveis e realizáveis, outras um tanto absurdas. Aquelas coisas que jamais esperaríamos que acontecessem, pois fogem do óbvio.
Traição vinda de alguém que jurava a amizade. Segurar um sapo. Começar a viver uma vida sem amor. Um tímido falar em público e conquistar o carinho de quem ouve. Correr 5 km era impensável. Conhecer o amor de sua vida e futuro marido pela internet era ainda mais absurdo.
Quanto mais recorrente as coisas "inimagináveis", mais elas se tornam comuns e mais deixamos de duvidar que tudo pode acontecer.


quarta-feira, 27 de maio de 2015

(re) Empezar

Achei: 
"Passei o dia ouvindo o que meu futuro me reserva e não gostei nem um pouco. E agora você vem me dizer que eu tenho um recomeço com a mulher dos meus sonhos." Modern Family

E foi a segunda coisa mais linda que ouvi. A primeira está guardada. 
Eu ouvi isso e chorei, porque a ocasião pedia, e passei a refletir (mais ainda se possível). 

O que quero da vida e o que ela espera de mim?

Felicidade é a resposta imediada. Mas a felicidade vem agarrada a muitas coisas: conquistas, viagens,  momentos, pessoas...
O que importa, no fim, é exatamente o que nos fará feliz. 
E a dificuldade vem em conquistar e, muitas vezes, manter. Conquistar requer dedicação, empenho, trabalho. Manter exige dedicação, emprenho, trabalho. Nada vem de graça e às vezes esquecemos a importância dessas coisas em nossas vidas e, junto a isso, do que precisamos deixar pra lá para mantê-las. Perder para ganhar. Transpor o intransponível visando o mais grandioso: o nosso eu que precisa estar contente. 
Me fiz muitas perguntas durante essa semana. Obtive respostas, obtive respostas desagradáveis, obtive as respostas que precisava. Mas a conclusão desse momento é justamente encontrar o ponto de ajuste. A porta para fechar. O obstáculo para saltar. A engrenagem que precisa ser azeitada para rodar melhor.
Bem, acabaram minhas metáforas.
domingo, 24 de maio de 2015

Sonhos eróticos

Achei: 
Eu sonho. Sonho muito.
E há um tipo de sonho, curiosamente, muito frequente...

Ele se aproxima. Encosta o rosto no meu pescoço e sente o cheiro dos meus cabelos. Beija três pontos diferentes das minhas costas. Meu corpo estremece. Ele passeia as mãos por elas. A febre se instala. O desate de um nó e as duas mãos enlaçam o resto do corpo. Seus lábios são macios, sua pele tem o cheiro mais primitivo dos cheiros: de homem.
O beijo é macio como o lóbulo da orelha.
A camisa foi embora e a penumbra mostrou o contorno dos grandes ombros e uma pele tão alva quanto a que possuía. Estava ruborizada. Com a força de um bárbaro, carregou-me. Vi o reflexo dos dois. Senti o gosto do pecado, gemi baixinho. Olhei para o teto e pensei "que sonho louco". Estava silêncio. Os olhos cor de avelã estavam fixos e expressavam o que poderia ser qualquer coisa ou alguma coisa. Não ouvia vozes, ninguém falava, não com palavras.
E, depois de muito, muito tempo, eu me entreguei.
...
Estávamos deitados e eu usava apenas um lençol fino. Um sorriso de canto de boca se formou.
Fechei os olhos e, agora sim, estava pronta para uma noite de sonhos.
domingo, 17 de maio de 2015

Definitivo

Achei: 
     "Definitivo, como tudo o que é simples.
   Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
    Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido juntos e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
     Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar...
   Por que sofremos tanto por amor? O certo seria não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.
    Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais.
    A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.
     A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."



    Carlos Drummond de Andrade [Com adaptações]


domingo, 3 de maio de 2015

Reflexões

Achei: 
Quem é essa gente pulando? 
Esse tipo de festa não é pra mim... Não tenho mais idade pra isso. Não combina comigo.
Olho pra garrafa de cerveja na minha mão, brinco com sua borda... Nem gosto de cerveja!!
Pensei nas viagens. Preciso muito viajar. Preciso de ares novos pelo meu rosto.
Penso. 
Quem essa gente procura? Quem esperam encontrar aqui? Aqui não é lugar pra encontrar um novo amor. Nem no supermercado. Nem na farmácia. Nem na biblioteca. Em lugar nenhum. É triste. Isso não existe. 
Minha amiga conversa com alguém. Busco a segunda garrafa de cerveja. Céus, mas eu nem gosto de cerveja!!
Sento, novamente. Os pés não são os mesmos. Os tempos são outros.
Estou com fome. Acho que a última coisa que comi foi um Doritos e umas duas jujubas.
Começa a tocar umas músicas da minha época de adolescente. Fiquei animada. O que me fez lembrar do taxista que colocou umas músicas deprimentes enquanto chovia. 
Tirei os saltos. Puxa, sou baixa! Alguém derrubou umas garrafas e tinha vidro espalhado. Tem um rapaz com uma camisa do Heisenberg. Fica estranho pedir pra tirar foto? O que me lembra da que ainda estou triste pelo fim da série.
Porque não dançar? Nem tomei a tequila de cortesia. Mas nem gosto de tequila. E porque estou bebendo cerveja?! Não vejo a hora de dormir.
Semana que vem a rotina volta com tudo. Ainda tenho que estudar. Tem consulta na segunda. Preciso de férias. Quanto tempo falta pra viagem? Tenho que comprar aquelas almofadinhas pra dormir em avião.
Cada vez mais perto. 
Isso não vai preencher nada. Esvaziou. Acho que vou ficar assim por um bom tempo. Umas temporadas, talvez.
Já vai acabar? Quero hamburguer.
A festa tá acabando. As pessoas saíram daqui mais realizadas? São pessoas melhores?
Não estou julgando. Estou aqui também. Terça tem corrida. Será o que o tênis já secou?
Tenho que refazer planos. E os blogs estão desatualizados. Olho pra minha mão, as unhas estão crescendo. Olho pra lugar nenhum. Olho pra minha mão novamente. Queria comprar uma casa. Um lar. Ter ma banheira no banheiro. 
Acabou. Minha amiga também quer comer. A moça nem trouxe guardanapo. Meu hamburguer é mehor. 
Sangro por mais tempo do que imaginei. Será que isso vai passar logo...?
Finalmente a cama.
Está quente e quieto aqui.
Um lugar tinha que estar.

sábado, 2 de maio de 2015

"O diabo mora nos detalhes."

Achei: 
Acabou.
Era esperado? Sim, era. 
Eu já sabia que o tempo que restava era pouco, que o fim era iminente. E também já me preparava para este momento.
Foi doloroso. Claro que foi! Ainda sinto os prazeres de cada capítulo.
Cada dia, hora, que passava significava um passo mais próximo do "adeus". 

E chegou. O fim foi triste, exatamente como imaginei que seria... Ele chorou, ele se foi. E eu chorei.
Ainda não me acostumei com esse vazio. Isso requer tempo e, talvez, uns momentos para relembrar...
Foi intenso, foi único e eterno. 

Sinto falta, desde já, Breaking Bad. Walter White. Heisenberg.

"Say my name."
sexta-feira, 1 de maio de 2015

Amargor

Achei: 
Empurrei suas mãos para longe. Levantei com fúria e, apontando o dedo em sua cara, disse: "Nunca mais!"
Algo foi balbuciado.
"Esse cheiro de sexo que sua boca tem não é meu!"
Lavei meu rosto. O gosto amargo de sexo e traição ficou na minha boca.
Usei um sabão com cheiro de uma flor qualquer.
Pensando bem "Um banho seria melhor."