quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O bosque

Achei: 


Entardecia. Caminhava pelo bosque há algumas horas, não tinha ideia de quantas, mas sei que caminhava há muito tempo. Eu estava cansada. E veio a chuva: forte e fria. Mas eu precisava caminhar, precisava chegar a um lugar que nem conhecia, mas que devia ser quente.
A caminhada começou bem: solo regular, com poucas pedras pequenas, vegetação rasteira e ainda era possível, ao olhar para o céu, ver um pouco do sol. Depois da primeira hora percebi que estava cercada por arbustos e enormes árvores, haviam galhos e troncos pelo caminho, e a umidade pesada entrava pelas narinas. A caminhada se tornava cada vez mais difícil. Veio a chuva, e os pingos gélidos eram como pequenas agulhas na minha face já amortecida.
Nem percebi ao certo quando anoiteceu. Mas já caminhava com dificuldade.
Parei e encostei-me numa árvore de tronco grosso, sentei-me e senti o peso doloroso dos acontecimentos recentes, talvez tenha chorado, preferi pensar que não. Aquilo não era mais permitido, não depois de tudo...
Estava desesperada pelo meu abrigo, errei algumas vezes pois só o luar me acompanhava, mas senti que o caminho era aquele, que a solidão me daria o espaço necessário pra pensar.
Então, enxerguei o que considerei ser meu ponto de luz, o abrigo essencial. Corri. Corri muito numa tentativa desesperada de encontrar seu calor e, quando finalmente entrei nele, lá dentro, nevava.

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