segunda-feira, 28 de julho de 2014

A janela

Achei: 
Certa noite, fui tomar um café numa pequena cafetería que ficava bem em frente ao hospital no qual trabalhava. Sentado e apreciando o líquido quente, observei uma mulher que estava encostada em uma das janelas do hospital. Ela mexia a boca, olhava para cima e passava as mãos nos olhos. Acho que enxugando lágrimas. Depois, ia embora.
Nas noites seguintes em que trabalhei, ia regularmente tomar café e, todas essas noites, via a tal mulher seguir seu ritual.
Uma noite, fui chamado para atender um paciente e pelo corredor observei que estava no mesmo corredor daquela mulher e que ela estava lá.
Depois que atendi ao chamado, não aguentei a curiosidade e preocupação e fui falar com ela. 
Disse que havia reparado que várias noites ela ia até aquela janela e parecia desabafar com alguém invisível e, ao meu jeito, perguntei o motivo dela fazer aquilo.
Me resumiu que as coisas estavam bem difíceis e que, quando as lágrimas não cabiam mais no quarto, ela ia para a janela.

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