segunda-feira, 28 de julho de 2014

A janela

Achei: 
Certa noite, fui tomar um café numa pequena cafetería que ficava bem em frente ao hospital no qual trabalhava. Sentado e apreciando o líquido quente, observei uma mulher que estava encostada em uma das janelas do hospital. Ela mexia a boca, olhava para cima e passava as mãos nos olhos. Acho que enxugando lágrimas. Depois, ia embora.
Nas noites seguintes em que trabalhei, ia regularmente tomar café e, todas essas noites, via a tal mulher seguir seu ritual.
Uma noite, fui chamado para atender um paciente e pelo corredor observei que estava no mesmo corredor daquela mulher e que ela estava lá.
Depois que atendi ao chamado, não aguentei a curiosidade e preocupação e fui falar com ela. 
Disse que havia reparado que várias noites ela ia até aquela janela e parecia desabafar com alguém invisível e, ao meu jeito, perguntei o motivo dela fazer aquilo.
Me resumiu que as coisas estavam bem difíceis e que, quando as lágrimas não cabiam mais no quarto, ela ia para a janela.

Selfie

Achei: 


A modinha do "selfie" (de fazer auto-retratos) me fez pensar que gostamos de tirar selfies porque sentimos que as fotos ficam melhores, já que conhecemos nossos melhores ângulos, melhor sorriso, melhor olhar e como esconder um defeitinho aqui e acolá.
O selfie nos agrada porque: quem melhor que nós mesmos para conhecer nossas virtudes e falhas?!

sábado, 19 de julho de 2014

Da vida, da morte e do que é de verdade

Achei: 
Vez ou outra penso sobra a morte. Da única certeza da vida, de como tudo acaba.
Pois, quando acaba, nada mais é possível e não sabemos o que vem depois.
Quando ela acaba, acaba junto todos os relacionamentos, todos os planos e promessas.
Você deixa de ter oportunidades para se expressar, para dizer que ama alguém, pra olhar nos olhos, para abraçar, para beijar...
Levei muito tempo para perder o medo de certas coisas. Levei tempo para criar coragem para outras. Situações e pessoas diferentes requerem isso.
Às vezes, o receio de não ter a mesma resposta, o mesmo carinho ou até um "eu te amo" baixinho, me fazia permanecer com um pé atrás, me protegendo de uma decepção.
Mas o dia de nossa dia daqui deste mundo é tão imprevisível quanto o que uma outra pessoa pode sentir por você. E acho que a perspectiva de morrer, e ir sem deixar minhas palavras e carinhos aqui, com as pessoas que lhes têm direito, permite que eu deixe de lado o justo medo da vergonha da não correspondência.

Curiosos

Achei: 
O envolvimento deles havia terminado e restou a amizade.
Meses depois, ele começou a namorar e ela se enlaçou novamente com um caso antigo. Todos estavam muito bem, obrigado.
Júlia se encaminhava para um noivado e sentia-se completa.
Augusto era feliz. Amava sua namorada e tinha a fidelidade como maior prova de amor a oferecer a alguém. Mas, vez ou outra, pensava na noite que, ele e Júlia, nunca tiveram.
Ele sempre se perguntava como seria uma noite com ela. O cheiro de seus cabelos dourados, o toque nos seus seios... Mas era tímido demais na época.
Ela, pensava nas mãos dele passeando por suas curvas, no calor de sua pele, de sua língua brincando com ela. Mas amava tanto seu quase noivo e, ainda que ultimamente as coisas não estivessem bem, "pular a cerca" nunca fora opção.
Mas ambos eram curiosos...
Certo dia, Augusto lhe lembrou daquele dia que eles "quase...". Ela riu, nervosamente.
Ele ousou perguntar se ela não tinha curiosidade em saber como teria sido... Uma noite juntos...
Gaguejou e respondeu que em algum momento, sim, mas tirara a ideia da cabeça. 
"Sou comprometida." "Eu também." disse ele. 
"Amo meu namorado." "Eu também amo a minha." 
"Nosso tempo já passou." e ele "Tem certeza?"
sexta-feira, 18 de julho de 2014

Escolhas

Achei: 
Nem sempre acertamos nas escolhas, mas, temos que conviver com os resultados que elas trouxerem. Por isso, é mais que necessário que sejamos os únicos responsáveis por fazê-las, ainda que nos arrependamos delas. Nada de se deixar levar pelo o que os outros acreditam que é melhor para nós. Claro que é sábio e um gesto de humildade ouvir conselhos ou uma segunda opinião de alguém com mais experiência, mas, a decisão tem que ser sua.
Tive uma criação que me superprotegeu. Pais que me deram todo o conforto, possibilidades e, também, o impedimento de tomar decisões e ser sempre obediente.
Não cresci mimada. A criação de "faça sempre o que eu mando" me fez, por anos, uma garota retraída, sem vontade de lutar pelo que parecia já ser perdido.
Anos passaram, ainda bem...
Observei, amadureci.
Hoje, com 25 anos, trabalhando e pagando por cada peça de roupa que visto, tenho tranquilidade para arriscar, com medo de errar, é claro, mas com uma confiança que vem se apoderando de minha alma. Dando-lhe liberdade para fazer escolhas, com a consciência tranquila de que, acertando ou errando, a escolha foi minha.
segunda-feira, 14 de julho de 2014

Desespero

Achei: 
E ali, no meio do desespero pra saber se tudo aquilo era verdadeiro, uma canção de ninar me fez dormir...
sábado, 5 de julho de 2014

Desamparo

Achei: 
O sol aparecia toda manhã, trazendo seu calor a um pequeno celeiro que ficava numa grande e bela  fazenda. Esse calor aquecia e transformava o celeiro num lugar confortável e aconchegante. Ah, como o celeiro amava aquele sol.
Um dia, o fazendeiro chegou com umas tábuas enormes e, dia após dia, tábua por tábua, o tal fazendeiro foi cobrindo a porta entrada do celeiro. 
O celeiro foi ficando, dia após dia, mais frio. Um lugar que, definitivamente, ninguém queria pisar. Por fim, o fazendeiro fechou por completo qualquer possibilidade do sol oferecer um raiozinho de luz por aquela grande entrada. E o sol? Bem, o sol não quis sequer tentar pela janela.