quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Ano Novo

Achei: 
Mais um ano que vai. A tradição pede que eu recapitule os acontecimentos, faça uma auto-análise, busque melhorias e estabeleça novas metas. Assim será.

O ano sempre inicia bem: com meu coração cheio de expectativas.

No trabalho foi muito bom, como tem sido desde o início. Ganhei alunos admiradores, fui escolhida como professora conselheira e pude sentir o carinho que eles tinham por mim como um dia eu tive por meus mestres. Sei que fiz, e sempre foi minha pretensão fazer, minha parte como professora/educadora e como cidadã que preza bons valores. Escutar "Sentiremos saudades!" e receber abraços dos muitos alunos é recompensador. O que me faz pensar que ainda não estou onde quero, mas que estou indo bem...

A vida reservada, vou chamar assim, foi um tanto mais atribulada. Ter a mãe passando por uma recuperação complicada, lenta e que parecia interminável foi o mais difícil que enfrentei neste ano. Por várias vezes vi o medo da morte nos olhos dela. E eu, por muitas vezes, engoli o chôro do medo de perdê-la. Com muitas noites mal dormidas, o estresse, a fome, o medo, ainda sim, alguém tinha que parecer forte. E nesses complicados meses eu aceitei que há momentos em que precisamos deixar algumas coisas para trás, ainda que importantes.

No mais, também aprendi que relacionamentos sempre requererão cuidado e que o medo não existe mais. Cada um faz sua parte, dá o melhor de sí e se, um dia, o "pior" acontecer... bem, não existe garantias de "pra sempre", não é?

Foi um ano que me trouxe tristezas, foi sim. Deixei de fazer muitas coisas. Tempo. A falta dele.

Queria ter lido mais! Tantas histórias que deixei pra lá porque a vida exigiu realidade...

Sei que vou chorar nas últimas semanas do ano, no último dia... sei porque, principalmente, mais uma vez terei meu sonho (o maior deles, arrisco) postergado. E se vocês já adiaram impositivamente um sonho sabem o que estou sentindo.

Mas, como sou uma pessoa esperançosa e sonhadora, eu acredito que terei tempo necessário para apontar lá pro alto, pra fé, e continuar a remar.

Para 2015, obviamente, tenho planos. Muitos! Às pencas! Está tudo anotado.

Alguns:
Pretendo retomar minha antiga paixão e rotina de ler. Aquela leitura prazerosa, sabe? E continuar escrevendo, mais ainda. Ah, vem blog novo por aí, já deixo avisado.
E-MA-GRE-CER (não entrarei em detalhes deste assunto tão delicado...)
Tenho que cuidar dos joelhos. Quero aprender a tocar violão (puramente para as aulas de espanhol), e talvez aprender um pouquinho de russo. Sim! Vocês ficariam surpresos de saber como os russos visitam meu blog. (Talvez procurando por uma brasileira gostosa e safada. Mas mal eles sabem que eu escrevo também!)

Vamos 2015, pode vir, nunca estive tão preparada.

Um lindo natal a todos e um ano novo pra sambar na cara da sociedade!
terça-feira, 18 de novembro de 2014

Cúmplices

Achei: 
 O que é casamento?

No dicionário Aurélio a definição mais afetuosa que encontrei foi "Contrato de união ou vínculo entre duas pessoas que institui deveres conjugais." 
Fiquei até molhada com isso.

Uma vez, não lembro exatamente onde, eu ouvi que - vou parafrasear: Na vida precisamos de um cúmplice. Sim, uma testemunha de nossa passagem por aqui. Alguém que nos acompanhe por longos e eternos anos e que confirme nossos feitos. Senão, de que adianta estarmos por aqui, se alguém não puder presenciar isso?

Muitas vezes, observando o relacionamento de pessoas próximas percebia que são muitas as pessoas que, pra mim, tem uma idéia distorcida do casamento, da união, do compromisso. Várias vezes me perguntei "Ah, é isso então? Se briga com constância? O respeito acaba com o tempo? Ele vai me ofender e eu a ele?" E aí vem mais briga, infidelidade, frustração, tristeza...

As vezes desconfio da sabedoria dos mais "experientes" que dizem que "Tem que ter uma briguinha de vez em quando." Ou que está tudo bem o "Ele ofende, mas ó, não me falta nada..."

De certa forma, agradeço por presenciar o caminhar dessas relações. Isso possibilitou que eu criasse minhas definições e, com isso, "buscasse" quem se encaixasse nisso.  
Por um longo tempo desacreditei na instituição casamento. E claro que ouvi especulações de como minha vida seria sem homem. 
"Quer morrer moça-velha? Não pode! Tem que casar!"

Tem? Não, não tem.
Mas, se tiver, que seja com alguém que complemente seu ser. Que te faça bem, te arranque sorrisos e não dentes. Alguém que ande ao seu lado. Que goste de sua companhia. Que planeje junto. Que tenha um beijo bom. Que não tenha medo de sapos. Que lhe dê apoio nas decisões. Que seja honesto. E que ao lhe tocar...

Casamento não é só sexo, não é só viagem, jantares, baladas, não são divisões unilaterais de trabalho. 

Casamento é muito! É a junção de tudo o que você gosta, de tudo que você quer fazer e que quer compartilhar todas essas coisas com a pessoa que se encaixa, perfeitamente, na definição de cúmplice. 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Gravidade

Achei: 
Ao som de Gravidade você me recebeu com um sorriso enorme. Me abraçou. Demoradamente. E sussurrou em meu ouvido o quanto eu estava linda.
Segurou minha mão e me conduziu numa dança lenta...
Me fez sentir especial. Amada como no dia que o amor foi descoberto.
Me deu a segurança que seu amor ainda existia. Passeou as mãos em minhas costas.
E com seu cheiro impregnado em minha pele, esquecemos do mundo afora...
quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Das expectativas e do que você nunca terá

Achei: 
Expectativa é uma das coisas que normalmente ter traz frustração.
Demorei algum tempo para aprender e aceitar que as pessoas vão nos decepcionar. Mesmo, e principalmente, aquelas que amamos. São delas, por sinal, que mais esperamos.
Em amores passados buscava uma tríade. Dos amores que tive, tive grandes decepções. 
Às vezes, ainda me vejo como alguém cujo coração endureceu demais, e que ele só anda esquecido disso. 
Ainda não me acostumo com a divisão daquilo que acreditava ser só para mim.
Não entendo certa necessidade da existência de alguns laços. Ando sufocada com a mentira.
Gente que a gente ama, mente pra gente? Sim.
Quanto mais tento entender, mais entendo que: ou tento esquecer ou sigo de olhos bem fechados.
O pior é andar com a sensação de que o tempo vai mostrar que estava certa e meu coração, finalmente, virará aço.

sábado, 13 de setembro de 2014

O outro

Achei: 
Ela sempre ligava. O início foi tímido, mas depois começou a ficar mais a vontade pra falar...
"Me chama de gostosa, pode usar um pouco a força, mas nada que vá me deixar roxa. E mostre um olhar de desejo, como se o tesão fosse explodir das suas calças a qualquer momento. E me beija, beija lento, com vontade..." Essas foram as exigências dela.
Ricardo se preparava para mais um encontro.
Gostava daquilo de ser o outro. De ser o que um alguém não estava sendo.
Gostava de receber os carinhos. Gostava da transa gostosa nas quintas-feiras. Não via nenhuma dificuldade. Foi muito fácil na verdade. Fazer sexo com mulher já comprometida era gostoso demais. Ela vinha carente e cheia de tesão acumulado, reclamando do marido, dizendo o quanto se esforçava no trabalho, na casa, com lingerie sexy e até deixando a cerveja dele gelar, mas que ele não dava o retorno e, quem sabe, já até tinha uma amante. Ela ficava se sentindo culpada no início, mas foi fácil deixá-la bem a vontade convencendo-a, sussurrando no ouvido um "Seu marido e um babaca! Como ele não percebe a mulher que tem o lado...".  E lhe dizia que ele merecia, que lhe estava dando motivos. O beijo era ardente, línguas que brincavam, brigavam e se queriam.
A resposta saia dela. Um líquido morno.... e logo ela deixou o remorso pra la.
Foi com a promessa de um retorno. E eu sei que ela volta.
segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Receita de felicidade

Achei: 
Se eu ganhasse um prêmio na loteria certamente seria feliz e conseguiria viver bem realizando meus sonhos. Realizando aquilo que o dinheiro pode e não comprar.
Mas não preciso de milhões na conta para ser feliz. Posso conseguir a parte material com meu salário de professora e, quem sabe, com um segundo emprego. Minha felicidade está associada a eu poder realizar pequenos desejos, ter meu lar, com uma linda cozinha, uma varanda, uma grande cortina e um cachorrinho branco.
Um amor que preencha as lacunas deixadas pelo tempo.
A delicadeza dos afetos. A consideração. Sorrisos verdadeiros e gostosos. Chorar com um filme bonito. Nadar, fingindo ser sereia e batendo barbatanas imaginárias. 
Sentar, fechar os olhos e ser engolida pelo vento.
Rolar pela cama, fazendo manha para espantar a preguiça. Abrir os olhos e ver um par de pálpebras.
Poder acordar tarde num domingo, andar de meias pela casa e sentar, com uma xícara com café e leite, numa cadeira de balanço e apenas apreciar a manhã que caminha.
Nada disso é comprado.



Sempre disse que coisas simples me fazem feliz. 
Bem, é verdade.

Minha vida de escritora não renomada

Achei: 

domingo, 3 de agosto de 2014

Detalhes

Achei: 
As pessoas se enganam quanto à minha aparência. 
Não porque tenho um rostinho bonito e por isso, talvez, não seja lá muito esperta. Mas, pelo fato desse mesmo rosto ser sereno (talvez ingênuo), e na maioria das vezes risonho, e por isso eu seja desatenta em relação às coisas. 
Esse é o maior engano que alguém pode ter sobre mim. Adoro detalhes. Percebo eles mais que a maioria. E meus doces olhos gostam de observar.
Sim. 
Percebo quando alguma coisa está errada. Quando os detalhes não batem. Percebo quando trocam meu nome, por outro que fez parte do passado, durante uma conversa. As palavras sendo escritas. A vírgula que foi colocada ali e não aqui. 
Acontece que as pessoas acham que esses pormenores passam despercebidos por mim porque eu não me manifesto, não contesto, não solto um "piu".
Em defesa de minha qualidade, digo que eu divido essas observações em duas categorias: as que eu percebo e comento, e as que eu percebo e não vejo motivo, ainda, de me manifestar.
segunda-feira, 28 de julho de 2014

A janela

Achei: 
Certa noite, fui tomar um café numa pequena cafetería que ficava bem em frente ao hospital no qual trabalhava. Sentado e apreciando o líquido quente, observei uma mulher que estava encostada em uma das janelas do hospital. Ela mexia a boca, olhava para cima e passava as mãos nos olhos. Acho que enxugando lágrimas. Depois, ia embora.
Nas noites seguintes em que trabalhei, ia regularmente tomar café e, todas essas noites, via a tal mulher seguir seu ritual.
Uma noite, fui chamado para atender um paciente e pelo corredor observei que estava no mesmo corredor daquela mulher e que ela estava lá.
Depois que atendi ao chamado, não aguentei a curiosidade e preocupação e fui falar com ela. 
Disse que havia reparado que várias noites ela ia até aquela janela e parecia desabafar com alguém invisível e, ao meu jeito, perguntei o motivo dela fazer aquilo.
Me resumiu que as coisas estavam bem difíceis e que, quando as lágrimas não cabiam mais no quarto, ela ia para a janela.

Selfie

Achei: 


A modinha do "selfie" (de fazer auto-retratos) me fez pensar que gostamos de tirar selfies porque sentimos que as fotos ficam melhores, já que conhecemos nossos melhores ângulos, melhor sorriso, melhor olhar e como esconder um defeitinho aqui e acolá.
O selfie nos agrada porque: quem melhor que nós mesmos para conhecer nossas virtudes e falhas?!

sábado, 19 de julho de 2014

Da vida, da morte e do que é de verdade

Achei: 
Vez ou outra penso sobra a morte. Da única certeza da vida, de como tudo acaba.
Pois, quando acaba, nada mais é possível e não sabemos o que vem depois.
Quando ela acaba, acaba junto todos os relacionamentos, todos os planos e promessas.
Você deixa de ter oportunidades para se expressar, para dizer que ama alguém, pra olhar nos olhos, para abraçar, para beijar...
Levei muito tempo para perder o medo de certas coisas. Levei tempo para criar coragem para outras. Situações e pessoas diferentes requerem isso.
Às vezes, o receio de não ter a mesma resposta, o mesmo carinho ou até um "eu te amo" baixinho, me fazia permanecer com um pé atrás, me protegendo de uma decepção.
Mas o dia de nossa dia daqui deste mundo é tão imprevisível quanto o que uma outra pessoa pode sentir por você. E acho que a perspectiva de morrer, e ir sem deixar minhas palavras e carinhos aqui, com as pessoas que lhes têm direito, permite que eu deixe de lado o justo medo da vergonha da não correspondência.

Curiosos

Achei: 
O envolvimento deles havia terminado e restou a amizade.
Meses depois, ele começou a namorar e ela se enlaçou novamente com um caso antigo. Todos estavam muito bem, obrigado.
Júlia se encaminhava para um noivado e sentia-se completa.
Augusto era feliz. Amava sua namorada e tinha a fidelidade como maior prova de amor a oferecer a alguém. Mas, vez ou outra, pensava na noite que, ele e Júlia, nunca tiveram.
Ele sempre se perguntava como seria uma noite com ela. O cheiro de seus cabelos dourados, o toque nos seus seios... Mas era tímido demais na época.
Ela, pensava nas mãos dele passeando por suas curvas, no calor de sua pele, de sua língua brincando com ela. Mas amava tanto seu quase noivo e, ainda que ultimamente as coisas não estivessem bem, "pular a cerca" nunca fora opção.
Mas ambos eram curiosos...
Certo dia, Augusto lhe lembrou daquele dia que eles "quase...". Ela riu, nervosamente.
Ele ousou perguntar se ela não tinha curiosidade em saber como teria sido... Uma noite juntos...
Gaguejou e respondeu que em algum momento, sim, mas tirara a ideia da cabeça. 
"Sou comprometida." "Eu também." disse ele. 
"Amo meu namorado." "Eu também amo a minha." 
"Nosso tempo já passou." e ele "Tem certeza?"
sexta-feira, 18 de julho de 2014

Escolhas

Achei: 
Nem sempre acertamos nas escolhas, mas, temos que conviver com os resultados que elas trouxerem. Por isso, é mais que necessário que sejamos os únicos responsáveis por fazê-las, ainda que nos arrependamos delas. Nada de se deixar levar pelo o que os outros acreditam que é melhor para nós. Claro que é sábio e um gesto de humildade ouvir conselhos ou uma segunda opinião de alguém com mais experiência, mas, a decisão tem que ser sua.
Tive uma criação que me superprotegeu. Pais que me deram todo o conforto, possibilidades e, também, o impedimento de tomar decisões e ser sempre obediente.
Não cresci mimada. A criação de "faça sempre o que eu mando" me fez, por anos, uma garota retraída, sem vontade de lutar pelo que parecia já ser perdido.
Anos passaram, ainda bem...
Observei, amadureci.
Hoje, com 25 anos, trabalhando e pagando por cada peça de roupa que visto, tenho tranquilidade para arriscar, com medo de errar, é claro, mas com uma confiança que vem se apoderando de minha alma. Dando-lhe liberdade para fazer escolhas, com a consciência tranquila de que, acertando ou errando, a escolha foi minha.
segunda-feira, 14 de julho de 2014

Desespero

Achei: 
E ali, no meio do desespero pra saber se tudo aquilo era verdadeiro, uma canção de ninar me fez dormir...
sábado, 5 de julho de 2014

Desamparo

Achei: 
O sol aparecia toda manhã, trazendo seu calor a um pequeno celeiro que ficava numa grande e bela  fazenda. Esse calor aquecia e transformava o celeiro num lugar confortável e aconchegante. Ah, como o celeiro amava aquele sol.
Um dia, o fazendeiro chegou com umas tábuas enormes e, dia após dia, tábua por tábua, o tal fazendeiro foi cobrindo a porta entrada do celeiro. 
O celeiro foi ficando, dia após dia, mais frio. Um lugar que, definitivamente, ninguém queria pisar. Por fim, o fazendeiro fechou por completo qualquer possibilidade do sol oferecer um raiozinho de luz por aquela grande entrada. E o sol? Bem, o sol não quis sequer tentar pela janela.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Ducha

Achei: 
Aline teve um dia "daqueles".
No trabalho, foi exigida ao máximo. Discutiu com seu chefe e teve uma leve suspeita que seu cargo estivera por um fio.
O trânsito pra casa foi um caos!
Motoristas buzinando loucamente, ultrapassando onde não deviam e motos passando em velocidade da luz ao lado de seu retrovisor.
Em casa, as coisas estavam uma bagunça! O marido se divertiu espalhando roupa suja pelos quatro cantos do quarto. Lhe deu um beijo genérico e só.
O nível de estresse estava grande. Nas alturas! Não precisava de "estressômetro" pra saber disso.
Precisava sim de um beijo decente do marido, de uma massagem, e fazer amor e tomar chocolate quente depois... aquilo sim iria levar todo estresse embora.
Então, depois de guardar as coisas do trabalho, tirou toda a roupa, foi para o banheiro e disse ao marido "Vou tomar uma ducha. Vem comigo?". Ele murmurou algo sobre um jogo que estava passando. Aline trancou a porta.
Ligou o grande chuveiro do banheiro e deixou que a água morna caísse em sua cabeça, pescoço, seios, barriga...
Usou um sabonete de baunilha, seu preferido, que fazia muita espuma e o aroma era doce.
Toda ensaboada, escorregou lentamente pela parede e sentou no chão branco. Pegou a ducha que vem acoplada ao chuveiro e puxou para que funcionasse. Agora, tinha um pequeno jato de água morna mas mãos.
Lentamente, foi tirando a espuma do sabonete de seu pescoço, dos braços, um por um...
Brincou um pouco com a espuma em seus seios, apertou-os de leve e sorriu mordendo os lábios.
Depois das pernas, parou sobre o que ficava no meio delas.
Ali sim, seria necessário mais tempo.
Imaginou que quem estava ali era outro homem, e não o marido que ligava mais para o futebol que para o sexo no chuveiro com a esposa.
Ele. Imaginou ele com o cheiro do suor de um dia duro no trabalho, e as botas pesadas. Os cabelos bagunçados e aquele sorriso malicioso que mais ninguém dava.
Ele, que segurava sua cintura, levantava-a e encostados na parede, mexia seus quadris. Enlouquecia-os.
Ele, com aqueles olhos castanhos profundos, penetrando-a.
Repetidamente, até o momento do gemido de ambos em uníssono...

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Prática e perfeição

Achei: 
"Eu amo você!" Não.
"Eu... Amo... Você..." Não, muito misterioso. Melhorei a postura, olhei para o espelho e:
"EU AMO VOCÊ!!!!!" Eita! Definitivamente não.
"Por que é tão difícil pronunciar palavrinhas tão pequenas?" Pensei.
Mais uma vez "Só queria dizer que eu amo você."
"Amooo vocêêê."
"Simplesmente am..." Não!
"Te amo..."
"Eu te amo." Irk!
...
Nós encontramos pela noite, ele programou um encontro para nós dois.
Sentamos, e não conversamos muito. Ele logo puxou minha mão e a apertou forte. "É agora que ele vai dizer." Eu tinha ensaiando para falar antes, mas se ele queria dizer primeiro...
E, sem ensaios, disse "Clarissa, eu... Quero terminar."

Mulheres e suas "pequenas" coisas

Achei: 
Conversa entre mulheres rende.
Falamos sobre nossas vidas, como anda o trabalho, se temos alguém da família doente. Relembramos coisas do passado, marcamos encontros que muita gente vai cancelar...
E falamos, principalmente, de nossos relacionamentos amorosos (ou a falta deles).
Não deve ser segredo como, geralmente, nos mulheres somos mais observadoras, detalhistas. Que percebemos coisas que quase ninguém percebe. Por um olhar, uma palavra suprimida, uma vírgula no lugar errado. E que sentimos as coisas. Sim, nós percebemos. Sim, nós sentimos.
Ouvimos entre nós que, tem uma amiga dele que a gente desconfia da amizade.
Que ele parece se importar em demasia com certa fulana.
Que (e por quê?) as palavras são os mesmos para a gente, e para todas as outras suas amigas.
Às vezes ficamos sem respostas, e compartilhamos nossas insatisfações, apenas. Mantemos o sigilo porque "há uma linha tênue entre ciuminho e ciÚme" com "u" maiusculo. Mas, ora, palavras são palavras e quando ditas jamais podemos voltar atrás.
Soltei uma frase, uma sabedoria da minha irmã, que, mesmo que eu não seja muito lá favorável, faz muito, faz todo sentido: Homem gosta é de mulher safada.
sexta-feira, 9 de maio de 2014

Quantos meses tem um ano?

Achei: 
Já se perguntaram alguma vez: Um ano? Mas já?!
Ou então: Esse demorou pra acabar, doze meses mais longos da história!
Tenho certeza que sim. 
Tudo depende, certo? Depende do que se está fazendo, do que se está vivendo.
Se as coisas estão ruins, se a grana anda em todos os lugares, exceto na sua carteira ou se está se curando de um relacionamento ruim, um ano é uma eternidade. Cada dia parece conter 30 horas, sem direito a sesta.
Claro que há o outro lado. Quando passa rápido demais para nosso gosto. Quando estamos num trabalho que nos agrada, viajando e conhecendo algum lugar especial, vivendo uma paixão, cultivando algo junto de alguém... Sim. Quando a fase é boa, vamos concordar, não queremos que passe rápido.
É o desejo de ter a felicidade passeando mais um tempo em nossas artérias. Que o corpo apure os efeitos.
Queremos preencher espaços e de viver nossas vidas, lidando com um relógio imaginário (que às vezes atrasa, ou corre demais), do nosso jeito.
Doze meses não é muito ou pouco tempo. 
São sempre os mesmos 365 dias, disponíveis para dar a eles o peso e a duração que sejam fundamentais para nós.
segunda-feira, 14 de abril de 2014

Desnecessário

Achei: 
Sabemos que não é simples.
Que talvez sejamos, em algum momento, uma complicação na vida de alguém. Uma desnecessidade. Chegamos a temer que, em breve, percebam isso.
Às vezes, a voz embarga. E mesmo com toda a contenção que normalmente costumamos ter, fica difícil falar. De dizer, alertar da verdade. Daquilo que tem nos feito feito bem, daquilo que se mostra diferente. Daquilo que temos medo de falar e que a vida nos escute.
Vivemos numa realidade tão dúbia.
A causa disso, é aquilo.
Aquilo que tem um nome.
Que muitos sentem e que nós sentimos. Que nunca falamos um para o outro. E que nos modifica. E me modificou tanto...
Entenda: para quem nunca experimentou algo verdadeiro, viver este momento não é fácil como parece. Que convivo com com uma verdade nova e que não sei como lidar com ela.
E que você é parte de minha certeza...
domingo, 9 de março de 2014

A crise dos 25

Achei: 
Conversando com um amigo, ele expressou sua insatisfação com um ou outro ponto em sua vida, e completou “Minha nossa... vamos fazer 25 anos.”

Aquele ponto em que, não sei se todos, mas, pensamos não ter feito ou conquistado "nada". De estar solteiro, sem ter concluído etapas e se sentir um pouco "atrasado". Eu inventei e disse "É a crise dos 25".
É que na vida, nada tem um tempo certo.
Ora, você não deixa de fazer certa coisa aos 20 anos e, se não fizer exatamente com esta idade, estará perdido! Já foi! Bye, bye! Acabou qualquer chance de realizar. Não, já vi "vovó" de 100 anos pulando de paraquedas.
O fato é que nosso corpo e mente pedem que certas coisas aconteçam quando eles estão preparados para tal. É mais confortável e sobra certo tempo para fazer ajustes se algo der errado.
Hoje, exatamente hoje, com 25 anos, ainda não realizei todos os planos, metas e sonhos que tenho para minha vida. Sinto, às vezes, que poderia -se o esforço fora maior, ter conseguido tais desejos. Mas, pensando agora, eu era tão nova e exigia mais do que era necessário. Culpei-me mais do que merecia. Sou do tipo de pessoa que acredita que, quando damos o que é necessário àquilo que queremos, ele vem no momento certo. 
Ainda que a genética tenha sido gentil e guarde minhas feições de 20, muita coisa aconteceu e muita coisa mudou. Mudei, e, com um quatro de século de vida, tenho expectativas de que os outros anos serão generosos e que, com o esforço e fé necessários, tudo será possível.
Tudo ficará bem.

terça-feira, 4 de março de 2014

Interrupção

Achei: 

Saiu do consultório atordoada. Que notícia mais inesperada, pensou ela.

Doença de Jacob, definitivamente não era algo que, um dia, pensara ter. Ninguém pensa nisso.

O médico dissera, com termos mais elaborados, que seu cérebro estava se transformando num queijo suíço. E era uma doença inevitavelmente mortal. Só existiam paliativos. Não teria muito tempo dali em diante. Logo começariam os espasmos musculares, as intermináveis enxaquecas e a demência.

No caminho para sua casa, não aguentou o peso. Parou sob a sombra de uma árvore e chorou. Ia morrer logo! Deixaria mãe, pai e seu irmão. Seus amigos. Seu noivo... seu grande amor. O casamento estava marcado para dali a dois meses e meio. Ela olhou para o anel em seu dedo. O brilho do pequeno diamante a fez lembrar dos olhos de seu noivo. Uma dor cada vez mais insuportável crescia nela.

O que faria, então?

Chegou em casa, olhando para os móveis, para as fotos sobre a estante. Quantas histórias ali.

Iria daquele mundo, mas não queria conviver com olhares piedosos, com despedidas sofridas nem que Daniel se casasse com ela como último gesto de compaixão. Se despediria de todos, mas o faria sem que soubesse que era uma despedida.

Sentou no chão de seu quarto, e Cotton, sua pequena companheira de quatro patas subiu em seu colo. Acariciou por alguns minutos seu pelo fofo e pensou que teria que se despedir dela também.

Pegou algumas caixas, com lembranças importantes...

Para lidar com a família, diria que se mudaria para outro país, fazer o mestrado e trabalhar com sua arte. Uma ideia antiga, que seus pais já ouviram e que, agora que rompera do Daniel, teria como realizar. Depois de muito tempo, com bastante sorte, encontrariam uma carta que lhes explicariam o que realmente aconteceu. O quanto ela os amava e como ela não queria ir embora deste mundo deixando como última imagem sua uma filha 15 quilos mais magra, com propensão a convulsões e demente, incapaz de reconhecê-los.

Com os amigos seria menos complicado. A maioria a esqueceria com o tempo, e cada um teria tantos outros amigos para compensar. Sua melhor amiga receberia uma carta também, destacando as boas lembranças e devolvendo todos os presentes que recebera e guardara com carinho.

A parte mais difícil e complicada envolveria o homem que Anneth escolhera como companheiro, amigo e amante para toda a vida.

Se eles casassem, não teriam tempo nem para uma semana de lua de mel. Sem falar que dali a duas semanas, sendo otimista, a doença já mostraria suas consequências e todos saberiam que ela estava doente.

A solução mais eficaz seria terminar com ele. Magoá-lo com uma falsa traição e o fazer odiá-la. Seria menos doloroso para ele ser o noivo traído, do que um esposo viúvo.

Viúvo de um amor jovem. Viúvo dos planos que jamais se realizariam.

Daniel não receberia uma carta. Não seria informado sobre o que realmente acontecera. Se soubesse, seria tomado pela culpa por tê-la ofendido com os piores nomes da terra. Não. Ele seguiria com sua vida. Levaria alguns meses para superar a “traição”. Algum tempo para deixar de amá-la. Até conhecer outra mulher, se apaixonar, fazer novos planos. Casaria e, num dia especialmente feliz com sua nova esposa, que sorte a dele! Estava mais feliz e que aquela mulher que um dia fez parte de seus planos, e que lhe magoou, fez muito bem em ir embora de sua vida. Que estava muito melhor agora.

Anneth terminou de pensar em tudo isso com uma forte dor no peito. Sua cabeça doía e sentiu-se muito fraca. Separou algumas coisas e começo a escrever as cartas.

Não lembra que horas foi dormir. Nem lembra de ter acordado.

17 horas depois de Anneth não atender a nenhuma das ligações que fizera, Daniel resolveu procurar seus pais e para sua infeliz surpresa, ela também não informou a eles seu paradeiro. Foram direto para o apartamento dela.

Bateram na porta e ouviram os latidos abafados de Cotton. Chamaram por ela algumas vezes antes de Daniel arrombar com um único chute a porta da entrada.

Olharam por todos os cômodos antes de correrem para seu quarto.

Os três se olharam apreensivos e carregavam no olhar a tristeza do que acreditavam que encontrariam atrás daquela porta.

Foi Daniel que abriu a porta e nem percebeu que seus sogros começavam a chorar com desespero. A sensação foi de que seu coração parara. Por uma eternidade...

Anneth estava no chão, deitada, meio encolhida como se estivesse com frio. E deitada perto de seu rosto, Cotton olhava triste para sua dona, talvez guardando seu cheiro na memória.

Ao redor dela, fotos dela com a família, com os amigos, com ele. Caixas com muitos papéis e envelopes. Eram cartas de amigos e algumas dele, que ela guardava. Viu uma rosa seca, que ele lhe dera quando a pedira em casamento, papel e caneta. Aproximou-se dela. Seus olhos estavam fechados, e sua pele estava fria e pálida quando a tocara. Não carregava expressão de sofrimento e percebeu que a aliança de noivado não estava em seu dedo, e sim na palma de sua mão.

Reconheceu sua letra numa folha branca e leu as oito primeiras e únicas linhas do que ela começara a escrever e não conseguira terminar.



“Mãe e pai


Não sei bem como dizer em uma só carta o que me aconteceu, o porquê tive de ir embora e o quanto amo vocês. Estou doente. Muito doente. E me vi obrigada a me separar de vocês porque, ainda mais doloroso do que me separar, seria ir e deixar a imagem que nunca quis que vocês vissem em mim. Guardem em seus corações meus sorrisos, meus abraços e nossos momentos mais felizes. Fui assim e guardem isso.

Peço que entendam a dor do Daniel, e nunca, por favor, nunca contem a ele o que me aconteceu... Ele fez meus dias mais felizes, e eu o amo tanto mãe e pai... amo tanto... ”

Anneth partiu muito antes do tempo que ela própria havia se dado. Não foi a doença que a levou. Seu coração foi ficando fraco, amedrontado e já carregava nele a dor da saudade de cada um que ela tanto amava e que teria que se despedir. Ele parou e levou consigo seu tempo e suas chances de dizer adeus.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Uma nova dança

Achei: 
- Vem, vamos dançar! - pegou-a pelo braço e arrastou-a para a pista de dança.
- Eu não danç... - nem pode terminar a frase. Já havia puxado-a para uma pista quase vazia.
O que tocava era um country dos antigos e em rodopios e passos desajeitados, preencheram todo aquele espaço. Seus cabelos esvoaçavam e seus olhos encontraram os dele. Sorriu. Com dentes e coração. 
Estava tão absorta na felicidade ali, naqueles braços que seguravam forte sua cintura e sua mão, que um estalo lembrou-lhe que não eram os braços habituais. 
E sentiu-se suja...
Mas tal sensação foi embora pois as lembranças da noite anterior lhe vieram. Quantas verdades, tanta decepção de quem lhe mais pareceu honesto. As verdades estão presentes no início. E depois tudo é retomado. Um raiva subiu e ocupou a inocência do coração.
A dança acabou e a música continuou em sua cabeça. E ele lhe acompanhou de volta até a mesa onde seus amores (?!) estavam. Todos sorriam. Ela também.
E ainda com um sorriso nos lábios achou os olhos de seu companheiro. Encontrou a dúvida...
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Sobre a verdade

Achei: 
Em um relacionamento, um dos ''pré-requisitos'' que dizemos querer, por julgarmos ser essencial em nossos companheiros é a sinceridade.
Queremos mesmo?
Queremos ouvir dos lábios de quem amamos a, nem sempre grata, verdade?
De como engordamos. De como aquela roupa não ficou bem. De que temos costumes insuportáveis. 
Homens querem ouvir que achamos o amigo dele um ''gato''? Que aceitamos um flerte? Que nem sempre queremos sexo? De que um ex bateu à sua porta?
Mulheres querem a verdade sobre como eles não ligam para celulites mas como ''Raimunda da academia tem uma bunda gostosa pra c......"?
Queremos a honestidade que diz como João teve sorte de conhecer a bela Maria?
De que o passado é passado, sem mágoas e que é seu amigo?
Vale saber que aquele o qual você divide o calor dos pés pulou a cerca?
Que saiu, que tocou e beijou outra enquanto estava comprometido com você?

Não se sabe ao certo o que a verdade fará com você.

Mas os mais importante é: o que você fará com quando ela resolver te visitar?


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A lista dos 30

Achei: 
Há algum tempo quando carregava vinte ou vinte um anos, criei uma lista com algumas vontades denominadas de "loucuras" para realizar antes dos vinte e cinco. Bem, este ano completo um quarto de século de vida e dos itens que a compunham alguns deixaram de fazer parte e outros poucos consegui realizar, infelizmente.
Mas começo o ano de 2014 elaborando uma nova. Não loucuras. Novas vontades, desejos e expectativas para serem satisfeitas até meus 30 anos. Três décadas de vida e com 5 anos em contagem regressiva.

1 - Conhecer: Espanha, Suíça e Itália. Disse 'E', não 'Ou';
2 - Dançar tango na Argentina;
3 - Ser poliglota;
4 - Participar de uma prova de corrida;
5 - E de uma maratona;
6 - Terminar de escrever meu livro;
7 - Terminar de ler, pelo menos, a metade dos livros da minha estante;
8 - Aprender a tocar piano;
9 - Manter a paixão pelas coisas que me fazem feliz;
10 - Perder o medo dos monstros do passado;
11 - Ter meu "Lar doce lar";
12 - E estar realizada profissionalmente;

Uma lista simples, possível e que se até meus 30 anos eu conseguir realizar tais desejos, certamente, serei ainda mais feliz.


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

De 2013 e das resoluções futuras

Achei: 
2013 já foi. “Passou rápido” como costumamos dizer.
Não passou.
O ano passado levou doze meses para chegar ao fim e muita coisa aconteceu nesse tempo.

Lá pelos primeiros meses de 2013, uma sucessão de desventuras num único dia me fez acreditar que este não seria um ano bom. Bem, eu estava errada.
Consegui completar resoluções de 2012 e isso já é bom.
Obtive conquistas importantes na área profissional e confirmei que dedicação e vontade fazem muitas coisas pelos nossos sonhos. Passei a morar só e a me tornar responsável pelas contas e a conviver com as consequências das minhas escolhas e da solidão. 
Conheci alguém. Alguém que se tornou importante e que está fazendo parte da minha história. Surpresa boa, digo.
Mantive amizades. Conheci muita gente bacana.
Tive uma triste e irreparável perda no último mês do ano.
Mas 2013 foi um ano muito bom.

2014 chegou com a mesma rapidez que 2013 ficou para trás.
Um ano novo é sinônimo de renovação, expectativas, planos que não deram certo sendo refeitos e sonhos vivos. Sonhos sempre vivos.
Para o ano que está em curso fiz uma lista nova de resoluções. É importante não esquecer de nada. Não esquecer do que é importante. Do que é vivo dentro de nós e nos faz respirar.

Uma lista de coisas importantes e essenciais na vida de qualquer sonhador.