segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Deus e vinho

Achei: 
A fome era grande. “Cidade quente!” Estava de volta e havia esquecido de como essa cidade castigava com o calor. Passava da hora do almoço e, depois de pegar a mala, comer era prioridade.
Precisava de qualquer coisa e passando por aqueles conglomerados de restaurantes e lanchonetes, resolvi comer um sanduíche. Aguardava na fila e observava as poucas pessoas que almoçavam àquela hora. Meus olhos se detiveram em uma mulher. Eu a conhecia! Fora ela que... sim. Era ela. Enquanto esperava pelo meu pedido, percebi que, além de sozinha, comia sem vontade. Garfadas lentas. Pensativas.
Peguei meu sanduíche e fui até lá.
Não acredito... ele?!”
Me aproximei e falei com ela, e me reconheceu de imediato. Perguntei se esperava alguém (Namorado ou marido. Marido não, não vi aliança...) e, com sua negativa, sentei-me.
Quando a fitei, até sorria com sinceridade. Mas seus olhos não combinavam: tinham mágoa, tristeza, raiva e uma malícia perigosa...
Conversamos bastante. Ela, visivelmente mais madura, contou-me que fora apaixonada por mim. “Paixonite quase adolescente”, disse. Falou que nunca me contara porque temia um “Não”. “Imagina...” Eu dar um fora numa mulher daquela.
Ela riu, pareceu até se animar. Resolvi perguntar se estava triste, pois parecia estar. Me olhou como se não esperasse aquela pergunta. “Como descobriu?!”. Disse que preferia não falar do passado.
Ficamos em silêncio. Olhava seu pensar. Parecia reunir coragem. “Gostaria de sair comigo? Jantar, quem sabe...”
O espanto foi meu. “Claro.”
Então ela disse “Os dois homens que mais amei nesta vida, foram também aqueles que mais me magoaram e decepcionaram.
Minha cara era de quem não havia compreendido. E continuou “Eu  não espero que você abra a porta do carro pra mim, nem que puxe a cadeira do restaurante ou que diga o quanto estou bonita. Não acredito mais nisso, romantismo.
Mas acredito que homem e mulher podem sair pra jantar, comer, conversar, rir, gostar do cheiro, sentir tesão e o que vier depois, culpemos o vinho.”

Realmente... como ela havia mudado.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Sábana

Achei: 
Foi uma noite perturbadora. Agoniado pelo suor, sentia a raiva pulsar em cada veia.
Recordei das imagens...
Ela o abraçava. Ela ao seu lado. Ela segurando suas mãos. Ela, na imagem mais bonita que já vi sua, encostava sua cabeça na dele, oferecia um perfeito sorriso e a confirmação de uma noite agradável.
Fiz força para apagar, para desviar tais lembranças. “Águas passadas, não há mágoa. Tudo resolvido.” disse ela para mim. Mas porque ela exibe seu passado? Ela desconversou. “Não há motivos...”.
Me fez sentir infantil. O pior os homens. O mais autoritário.
Não se pode apagar o passado.” disse com certa doçura.
Sim. Mas pode encobri-lo.

Larissa

Achei: 
Poderia dizer que, às vezes, é tresloucada.
Larissa é assim.
Menina Larissa tem personalidade forte. Ela briga, ela grita, ela até bate. Mas ela protege, ela cuida, ela ama.
E agora?! Larissa foi embora! Juntou suas coisinhas e foi atrás de sua liberdade, de seu sonho. Deixou para trás pessoas que a amam, deixou amores...
Larissa, a mulher, é forte. Atua por uma vida com sonhos e canta para a vida. Tem pele branquinha e macia, como o lóbulo da orelha.
E só ela cata piolinhos que nunca existiram.
Larissa, conte o porquê de não ser Larissa. Conte sua historia. Cante-a. Encante-nos.

O título é um equívoco. Correto seria: Uma Larissa com nome de Camila.




À minha irmã, com carinho...
quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Os sonhos

Achei: 
Sonhei com dois passados: um assustou, encheu de raiva o discernimento. São um do outro desde a infância...
O outro mostrou o que ficou para a trás com um passo que foi dado rumo à mudança.

Nada vai mudar

Achei: 
Mentiras começam quando você não é, desde o início, aquilo que realmente é.
As pessoas se enganam. Deixam os sentimentos impulsivos as controlarem e, mesmo sabendo da trapaça, seguem em frente...

"Porém, nada vai mudar..."
terça-feira, 8 de outubro de 2013

João e Maria

Achei: 
João é um cara, trinta e poucos anos. Não é galã. É bem resolvido e tem futuro.
João gosta de Maria.
Maria tem vinte e poucos. Moça jeitosa, que trabalha e tem projeções.
Maria nem sabe de João.
Maria vê João, de longe. Maria vê João só como um cara normal.
Mas João quer Maria.
João intensifica as investidas, é romântico, pega na mão, no cabelo e beija Maria.
João e Maria se beijam mais.
João e Maria se gostam.
Maria gosta de João.
Pobre Maria...
João foi ver televisão.
João foi..
João não volta mais.

E Maria volta a ser Maria.