quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Sinos

Achei: 


Fora um dia tão comum que duvidei que pudesse ser puxada para baixo tão rapidamente.
Deitada, esperando o mundo dos sonhos chegar e parcialmente coberta, contemplei a escuridão do quarto.
O passado veio me visitar. E caminhou, ali mesmo, pelos meus olhos. Uma palpitação estranha no peito sinalizou o quanto de angústia havia ali. Havia mais lá dentro. Vi um rosto e senti cólera. Senti cheiro de ar de nuvens e quis apagar tudo aquilo. Mas o presente seria anulado. “E o presente está bom.” pensei.
Esquecer o passado ajudaria a viver melhor no futuro. Sem receios de felicidade duvidosa, palavras mentirosas. Mentiras galanteadoras...
Pisquei. Uma lágrima estava caindo... e, já em posição fetal, permiti que muitas mais caíssem.
Lembro de ter suplicado baixinho, um sussurro ao ouvido de Deus. De ter pedido serenidade. “Aguente firme.” eu ouvi. Foi Ele? Já estava dormindo?
...
Estava claro. Um soar de sino e uma palavra com três sílabas me fez acreditar que aqueles olhos castanhos, que se observavam no espelho, poderiam ter aquele vazio preenchido.

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