segunda-feira, 8 de abril de 2013

Paciente 11

Achei: 

Depois de sentar na cama com a ajuda da enfermeira, pergunta:
- É grave, doutor? Seja honesto comigo.
- Temo dizer que é pior do que eu esperava. O quadro evoluiu muito. Você procurou o tratamento tarde demais. E está contaminando os outros órgãos também, o primeiro foi o pulmão, por isso a constante falta de ar.
- Nossa... – lamentou a jovem.
- Sim. - continuou o médico – Você se expôs muito, e sua vulnerabilidade fez com que o caso já fosse considerado grave desde o dia do contágio. – falou de forma rigorosa.
- Mas eu não tive culpa! É claro que eu não queria pegar isso. Tomei todas as precauções, usei todas as proteções disponíveis. Não foi culpa minha... – e começou a lacrimejar – O que eu vou fazer? O que o senhor vai fazer pra me ajudar? Tem jeito né? Sou nova, tenho tanta coisa pra conquistar e realizar. Como meus pais iria ficar, hein, doutor?
- A melhor solução seria o transplante. Você ficaria perfeitamente bem. Mas você pode ficar anos na fila de espera, sentindo dor, com problemas pra dormir, a falta de ar... você sofreria por anos numa cama à espera disso.
- E então? – perguntou cautelosa.
- E então, temos a outra opção. Aquela da qual lhe falei no dia do exame. – disse sério.
- S...só aquela?
- Sinto dizer que sim.
- Bem... se é a melhor opção. Tudo bem, pode marcar a cirurgia. – e baixou os olhos ao dizer isso.
O médico então saiu da sala. Os anos de experiência disseram que aquela cirurgia já deveria ter sido feita, o dano está muito grande, pensou ele. Um colega se aproxima.
- Grande Dr. Barbosa! Dia movimentado o de hoje, não?!
- Sim. Agora mesmo estou indo marcar mais uma intervenção cirúrgica.
- Uma redução?? – perguntou o interno esperançoso.
- Não, mais uma reconstrução de coração partido.

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