segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

05 de janeiro de 2011

Achei: 

Eu estava na sala de embarque a poucos minutos de pegar voo para Barcelona. Antes de entrar no avião, meu noivo me liga.
- Oi, meu amor!
- Olívia, preciso lhe dizer algo...
Ele disse.
Quando dei por mim, já estava dentro do avião, longe muitos quilômetros de terra firme. Não lembrava como havia ido parar lá. Olhei pela janelinha e só avistava as milhares de luzes da cidade, como uma infestação de vaga-lumes.
Então, lembrei da ligação do Paulo. As lágrimas vieram, primeiro silenciosas, depois se transformaram num pequeno soluço. Quase 6 anos de noivado. E minutos antes de embarcar ele termina tudo por telefone?! Eu merecia mais...
“Não dá mais pra continuar, eu tenho sonhos, planos pra minha vida...”
Aquilo martelava na minha cabeça. Acabara de ser excluída de seus planos.
Um pouco mais de lágrimas.
Então o rapaz que estava sentado ao meu lado, toca em minha mão e pergunta:
- Está tudo bem?
Respondi que sim, mentira social necessária.
- É claro que não está. Posso lhe ajudar?
- Não. Você não pode me ajudar, nem o piloto nem ninguém aqui pode me ajudar.
- Calma, eu realmente quis lhe ajudar. É dinheiro? Se for dinheiro eu poss...
Meu sorriso saiu amargo. Já não soluçava e, então, desafiei o altruísta desconhecido.
- Você acha mesmo que pode me ajudar?
- Posso... – disse simplesmente.
- Então, casa comigo.
Enquanto achava graça mentalmente do quão ridículo aquilo parecia, a primeira coisa esquisita que aconteceu foi que os cinco segundos que aguardei para ouvir a resposta se passaram lentamente, até que algo igualmente estranho veio a seguir: sua resposta.
- Eu caso. – disse com voz séria.
Pela primeira vez em toda aquela conversa eu levantei o rosto e o fitei...

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