sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Estacionamento

Achei: 
Era um dia de compras como qualquer outro. Entramos no carro: ele pôs o cinto, eu não.
“O que foi?” perguntou quando me viu olhando para ele com um sorriso de canto de boca.
“Nunca fiz sexo num estacionamento...”
Ele riu meio abobalhado. “Sério?! Aqui?! Mas são quatro hor...”
O beijei. Não tinha porque prolongar uma conversa daquelas quando se quer mais suor e saliva do que palavras. Secreções necessárias.
Esperei que ele recusasse a ousadia. Que nada...
Foi um tira de roupas acalorado, apressado, excitado.
E estava tão quente. Corpos e suor, muito suor.
Beijo, línguas e tudo tão molhado. Inebriante, proibido, gostoso...
...

O carro deve ter balançado e alguém deve ter visto, mas, ninguém fez questão de se pronunciar. Não era nada, comparado à dificuldade de vestir a roupa depois.
Ele tinha a mesma cara de abobalhado do início, como quem não acreditava no que tinha acontecido. Eu tinha o mesmo sorriso de canto de boca.
Ainda lembro daquela vaga.

1 comentários:

Rodrigo Aguiar disse...

Nossa! Já no aguardo de mais textos assim :)