terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Somos (todos) um

Achei: 


A perda de uma vida já é dolorosa. E, quando muitas delas se vão? Pior: se vão por um descuido e/ou descaso tão pequeno, tão “bobo”. A dor é maior? Não, dor é sempre dor.
Como calcular, então, a perda de centenas de vidas? Vidas jovens, iniciantes, que certamente teriam muito a oferecer, acrescentar, a compartilhar.
Não tem. É impossível fazer uma estimativa do quanto que todas elas poderiam ser significativas. Futuros professores, bancários, policiais, médicos, mães, pais e filhos. Todos se foram.
A imagem de tanta fumaça assusta. Imaginar o sofrimento, angústia e medo que aqueles que estavam lá sentiram, nos causa desconforto. Pena. Mesmo estando longe, ou não possuindo laços sanguíneos, nós sentimos dor. Claro que jamais a mesma dor que pais, mães, filhos e amigos sentiram (e ainda sentem), mas conseguimos projetar nossos sentimentos e nos colocar, por poucos instantes, no lugar de quem sofreu a real perda. Se somos pais pensamos em nossos filhos que poderíamos ter perdido, se filhos, nos pais ou amigos, ou amores que poderiam ter apenas começado. E sentimos um aperto no peito e talvez choremos.

Que o tempo não faça esquecer, nem mesmo ele teria poder para isso, mas que traga conforto para todas essas famílias de Santa Maria que tiveram seus amores levados pela inevitável, mesmo que nessa situação injusta, e única certeza da vida.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Estacionamento

Achei: 
Era um dia de compras como qualquer outro. Entramos no carro: ele pôs o cinto, eu não.
“O que foi?” perguntou quando me viu olhando para ele com um sorriso de canto de boca.
“Nunca fiz sexo num estacionamento...”
Ele riu meio abobalhado. “Sério?! Aqui?! Mas são quatro hor...”
O beijei. Não tinha porque prolongar uma conversa daquelas quando se quer mais suor e saliva do que palavras. Secreções necessárias.
Esperei que ele recusasse a ousadia. Que nada...
Foi um tira de roupas acalorado, apressado, excitado.
E estava tão quente. Corpos e suor, muito suor.
Beijo, línguas e tudo tão molhado. Inebriante, proibido, gostoso...
...

O carro deve ter balançado e alguém deve ter visto, mas, ninguém fez questão de se pronunciar. Não era nada, comparado à dificuldade de vestir a roupa depois.
Ele tinha a mesma cara de abobalhado do início, como quem não acreditava no que tinha acontecido. Eu tinha o mesmo sorriso de canto de boca.
Ainda lembro daquela vaga.