domingo, 2 de dezembro de 2012

O último sonho de novembro

Achei: 

Na placa lia-se "Aluga-se". O aluguel era R$810,00. Tinha dois quartos, cozinha e banheiro. Pequena com jardim e grades brancas. Eu arrumava as coisas da mudança.

Cena I: Era uma repartição pública, eu estava numa sala quando um político conhecido entra e me pega pelo braço. Vou à contra gosto. Andamos por um corredor enquanto ele falava coisas que não entendia. Temia ser vista como a ‘amante’ do cara, é o que todo mundo pensa.

Cena II: Ele pega na minha mão e entramos em um auditório com centenas de pessoas que passaram a nos observar e pensar “Olha só a mais nova namoradinha dele...”, baixo a cabeça com vergonha. Vergonha por ter deixado que segurasse minha mão. Me solto. Procuro a última fileira para sentar. Vejo rostos conhecidos, meu amigo estava com o cabelo grande? Eu desabafo...

Cena III: O político tira o capacete e sorri ao me ver. Puxa-me novamente. Peço socorro com os olhos, meu amigo vem junto. O político senta à nossa frente e eu numa cadeira bem atrás. Ele olha, eu digo “Estou bem, aqui.”, afundo na cadeira. Meu amigo ao meu lado.

Cena IV: Três negros, sentados à nossa frente, levantam, mostram os fuzis e gritam “Ostracism!”. Meu amigo se espanta e diz “Ostracism não!”. Briga, disparo.

Cena V: Em seguida a câmera imaginária que filma tudo isso se afasta lentamente e a cena que aparece é a de um negro nu, algemado, no chão, já espancado sendo violentado com algum objeto cilíndrico. Há sangue, muito sangue.


Essa é uma retratação de um sonho. Eu acordei com um murmúrio, meu mesmo. Estava acordando de um pesadelo tão real. Sonhos sempre parecem reais. Este mundo que existe quando fecho os olhos é sempre assim: misturado, assustador, confuso e, muitas vezes, angustiante.
Tenho muitos sonhos e às vezes eles me perturbam.

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