terça-feira, 20 de julho de 2010

Nostalgia

Achei: 

As lembranças podem nos trazer sentimentos diversos.

Penso, ao escrever estas palavras com uma grande tranquilidade, nos meus tempos de criança. Ao brincar com panelinhas à sombra de um cajueiro, no cheiro da lama de jambo que se formava nas ruas em que eu costumava andar com a minha bicicleta com cestinha branca. Tempos em que eu construía uma barraca com cadeiras de balanço e um lençol branco, e lá fingia estar acampando em uma floresta com onças e tatus ao meu redor. Minha infância, apesar de um pouco solitária, foi maravilhosa e a recordo como uma saudade que dói no peito e que solta uma lágrima de tristeza por tempos que não voltam mais. A criancice nunca desapareceu na verdade, mas novos hábitos e conceitos foram incorporados. Minhas travessuras e invenções permaneceram e eu criava muitas estratégias para preencher a solidão.

Dos meus onze anos recordo um momento muito bom... fui morar novamente, em minha terra natal. Estudava numa pequena escola que ficava a cinco ruas de casa. Foi quando me encantei pelo anime Sakura Card Captors (que até hoje, sempre que assisto me remeto a essa época), foi quando fiz amizade, uma linda e sincera amizade, que hoje perdura, dentre outras coisas, através de cartas, com uma garota super inteligente, meiga e educada, hoje praticamente uma farmacêutica (e a melhor que Belém terá). Foi também nessa idade que descobri minha paixão pela leitura. Tempo que me sentia inferior por acumular, ainda, a gordura infantil que não sumia nunca. Fui desprezada pelo garoto que era apaixonada, acho que chamava Luciano. Você lembra dele né, Pessôa? Talvez hoje, ele pensasse com mais cautela ao me menosprezar... foi nesta época que fui apresentada a um rapazote, beirando a maior idade, que me via como uma garotinha e que cinco anos mais tarde se surpreendeu, e comprovou através do tato, com, palavras dele, ‘a mulher que eu havia me tornado’. De fato.

São tantas as lembranças... da infância, da puberdade, com o descobrimento do primeiro beijo, das primeiras desilusões amorosas, dos choros silenciosos no banheiro. Das diversas mudanças, dos vários diários, alguns lidos, dos deboches e perturbações de tios e irmã. Do sofrimento escondido que me acompanhava por não ser a mais bonita, nem a mais desejada pelos garotos. Da incompreensão por parte daqueles de quem mais esperava ter.

Do meu pouco atrevimento. Da minha pouca credulidade em mim mesma. Anos se passaram e tanto as imagens quanto frases, e até certos aromas, ficaram eternizados. Que bom! Não gostaria de esquecê-los. Por mais imperfeito que seja, com todos os percalços, não desejaria nada diferente... fazem parte da minha história. De minha vida... e, sem eles, nada eu seria do que hoje sou.

1 comentários:

Orion* disse...

A nostagia, sempre nos trazem momentos de risadas, que acontecem do nada... Apesar de ter falado das coisas ruins que lhe aconteceu, que bom que enfatizou as coisas boas... Está bem... Tá tudo certo com você agora...rs EStou orgulhoso de você. Menina, está madura... E não pense que isso é ruim... rsr. Bjs xau.